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Ontem ía caminhando pela rua, quando ouvi um miar e olhei.

Era, adivinhe-se, um gato! Esse gato estava agarrado a uma rede e do outro lado estava um outro gato, portanto suponho que miava para ele, ou ela. Fiquei a ver o que esse gato de patas abertas colado à rede estava a fazer. Seria uma forma de alongar os músculos? Depois percebi  que ele estava de facto a trepar a rede, com muita cautela. Tal e qual um escalador que usa “pés de gato”, esse gato usava “pés e mãos” para, passo a passo, ir trepando a rede. Quando chegou ao cimo, atirou as patas traseiras para o ar de forma a passá-las para lado de lá da rede e a agarrá-las lá, e imediatamente soltou as dianteiras e agarrou-as também já do outro lado. Assim, agarrado e seguro começou a fazer o processo inverso de descer a rede já do outro lado, e pode ir ao encontro do seu companheiro.

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Pensei,

animais inteligentes estes gatos, além de incrivelmente ágeis! E lembrei-me dum certo documentário fictício que vi quando viajava pelo Oriente. Comprei o DVD numa loja qualquer em Kathmandu e fez-me companhia nessa noite. Chama-se, Population Zero e retrata o planeta Terra sem humanos e o que aconteceria, como, e quanto tempo levaria, desde o dia zero sem humanos até que mais nenhum vestígio existisse do que foi em tempos a Humanidade, e acreditem, é surpreendentemente rápido. Humanidade esta que, segundo um outro documentário que estou a ver de momento, “Cosmos”, aconteceu somente na última hora do último dia do último mês de um calendário gregoriano, se medíssemos o tempo cósmico desde o Big Bang até hoje, 30 de Janeiro de 2015. Remete os nossos problemas e até a nossa existência (ou a importância que nós achamos que ela tem) para uma perspetiva que, atenção, pode causar alguma vergonha.

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Estes dois documentários fazem-me pensar em duas realidades diferentes mas que estão simultaneamente ligadas. O gato da rede lembrou-me da nova espécie de “gatos voantes” que se desenvolveriam já nesse planeta Terra pós-Humanidade. A Natureza e a vida selvagem tomariam conta do que, sejamos francos, nunca deixou de ser deles. E os gatos, que durante algum tempo habitariam os edifícios e arranha-céus, desenvolveriam uma espécie de asas (como aquelas dos fatos de queda livre), de forma a poderem caçar de forma mais eficaz os ratos, e afins, e competir com as águias e outros pássaros.

a19783fbb4e138588f78ad3741fb7a387daa92c2Já os cães,

seriam presas fáceis para os leões, leoas e os lobos, raça de onde advieram todos os caninos que se conhecem à face da Terra, domesticados pelo Homem e tornando-se assim seus aliados. O ser humano interferiu pela primeira vez com a evolução natural das coisas, e foi ele que ao definir que cão procriava com que cadela, esculpiu todas as raças de cães do planeta! De qualquer forma, a evolução natural é de tal maneira imponente que se ri de nós quando nos achamos os donos do mundo e até de nós próprios, mesmo quando calha de interferir com ela sem querer.

Ah, e já agora, nós somos feitos de estrelas!

Isso mesmo. As estrelas e nós somos feitos das mesmas coisas, portanto nós somos feitos de “star stuff”, coisas de estrelas, como explica no Cosmos, a minha bíblia atual, o que lá diz, eu escrevo. O que só realça ainda mais a nem sempre clara evidência de que, estamos e está tudo unido, interligado, somos um todo. Os átomos, as células, a matéria, o espaço entre a matéria, nós e o universo, um só. E se dantes, no tempo de Galileu, pensar na Terra como o centro do Universo e que tudo girava em volta de nós cá na Terra, era retrógado ou pouco futurista, hoje em dia é igualmente retrógado imaginar que o universo se singe a um conjunto de galáxias. O universo é muito, muito maior do que isso, e a nossa galáxia nem qualifica como uma migalha de pão, talvez nem como um átomo. Não é fácil imaginar-se tudo isto e o insignificante e efémero que realmente somos. É de tal maneira imenso, é de tal maneira infinito, que não cabe nas nossas cabeças, nem em pensamento. É fascinante. É assustador. Uma vida não chega para aprender. E às vezes é melhor nem querer saber, de forma a podermos ter alguma sanidade mental.

E aqui vem a segunda ideia

que é esta de constantemente fazermo-nos crer de que a Terra tem que ser salva. É irónico. E é verdade que a Humanidade é um vírus, um cancro, pelo menos da forma como temos vindo a poluir a nossa casa e a nossa espécie. Mas daí à Terra precisar de ser salva? Quem precisa de ser salva e com urgência, é a Humanidade! “The Earth is fine! Or… it will be. Eventually.”

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Para quem não entende inglês, a mensagem é simples. Não é com a Terra que nos devíamos preocupar, é connosco. Nós é que temos de ajudar a Terra a salvar-nos, e não ao contrário.

Porque se de repente desapareceremos da sua face, será num abrir e fechar de olhos cósmico que qualquer memória de alguma vez termos existido se evaporará.

E connosco, tudo o que até então criamos e vivemos. Tudo terá sido em vão. A arte, as guerras, as batalhas, a arquitectura, a literatura, o amor, os sentimentos e até os pensamentos, como estes que partilho hoje com vocês.

Portugal, Braga, 30 de Janeiro de 2015

 

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