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Saindo do banho, enquanto se veste perto da janela, por acaso repara num homem que come sentado na borda dum passeio das partes traseiras e sujas de restaurantes, onde colocam o lixo. Ele come a partir de um saco de plástico, será um trabalhador? Talvez o varredor? Será um sem abrigo, um “sem-casa”, um homem da rua? As pessoas não pertencem à rua. Elas não encaixam lá. Quanto muito a rua pode pertencer a elas.

E enquanto ela se veste no terceiro andar do prédio em frente e repara nessa pessoa ali, ali ao lado dela, a poucos metros de distância, assim vista de cima quase que dá para tocar nesse homem, se esticasse o braço a partir da janela, se o seu braço fosse um braço muito longo.

Duas realidades que respiram paralelas, como o camponês que ela avista da janela da agência de mídias digitais onde trabalha. Enquanto o mundo cai, ela escreve posts e ele lavra os campos, feliz. Como os prédios dos anos 20 encolhidos entre os arranha céus, mas sem por isso cederem ou perderem a sua elegância.

São roupas soltas tentando se encaixar num só figurino.

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